segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bombeiros - São eles que pedem socorro

O Corpo de Bombeiros de Pernambuco, símbolo máximo do salvamento de vidas, agoniza. Com uma arrecadação anual milionária, aproximadamente R$ 42 milhões, está enferrujado. Quem tem a missão de socorrer, agora, pede socorro. Mesmo com um investimento de R$ 115 milhões, só no ano passado, faltam ferramentas de resgate, equipamentos de proteção individual, viaturas, embarcações e até mangueiras de bitola apropriada de combate a incêndio. Falta gente também. É uma corporação encolhida, presente em 18 dos 184 municípios do Estado. Hoje, existem só 2.700 homens. O ideal, pelos padrões internacionais, seria um efetivo de 8 mil bombeiros. Nos quartéis, a insatisfação é geral. Os oficiais têm a mesma resposta. “Já passamos do limite do aceitável há muito tempo. É rezar para não acontecer uma tragédia.” Comandantes alegam que precisam de, no mínimo, o dobro do contingente e melhor estrutura para cumprir as missões diárias.
Na segunda-feira, o JC percorreu os principais grupamentos e atestou a situação cambaleante da corporação. A única lancha de grande porte, fundamental para salvamento e resgate de pessoas em pontos mais distantes da costa, está apodrecendo, embrulhada numa lona do Centro de Manutenção, no Porto do Recife, há cinco anos. Não existe previsão de ela voltar ao mar. Os motores não servem mais. A outra lancha, de porte médio, ficou parada durante cinco meses. O resultado não poderia ser outro. Em setembro do ano passado, um barco de mergulho, com 14 pessoas a bordo, naufragou a 5 quilômetros da costa recifense, após ser atingido de frente por uma grande onda. Desde as primeiras horas, o helicóptero da Secretaria de Defesa Social (SDS) sobrevoou a área, mas os bombeiros não foram fazer o resgate. A resposta de um oficial é simples: “Iríamos nadando? As duas lanchas estavam quebradas. Uma há cinco anos”. Na terça-feira, outro vexame. Dessa vez, por terra mesmo. Ao chegar com uma hora de atraso a um incêndio em Jardim Atlântico, os bombeiros, acostumados aos aplausos, levaram uma vaia. O quartel ficava distante 400 metros do local da ocorrência. A única viatura de combate a incêndio estava quebrada. Outro caminhão, que tinha ido atender um chamado em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, precisou ser deslocado.

Outro problema grave é a cobertura do litoral. Existem apenas 13 duplas de salvamento durante o fim de semana. Mais de 130 quilômetros de praia descobertos. “Precisávamos ter o dobro do efetivo aqui no grupamento”, atesta o comandante do GBmar, tenente-coronel Leodinilson Bastos. Ele informou que dois jet skis estão funcionando. “Existem outros quatro quebrados.” O Corpo de Bombeiros chegou a ter uma frota de 16 jet skis. Dez deles não servem mais. Vão ser jogados fora. Até agora, não foram repostos. Por plantão, há uma equipe de mergulhadores. Em todo o Estado, são apenas 18. “Os materiais de mergulho são antigos, mas não faltam. O GBmar tem 148 homens. Projeto do Corpo de Bombeiros aponta a necessidade de 1.852.

Fonte: Jornal do Commércio

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